quinta-feira, 4 de março de 2010

Não leia, Dunga


Não leia, Dunga



Se sou a Fifa, espero o treinador brasileiro divulgar a convocação para a Copa, nacionalizo Ronaldinho Gaúcho sul-africano, empresto o craque para a pior seleção mandante da história das Copas, e evito o crime lesa-bola que será cometido por Dunga quando anunciar a patota, ops, o grupo para o Mundial.

Não, Dunga, pelo respeito pessoal e profissional que tenho por você, não precisa ler estas linhas. Sou mais um entre 193 milhões de vuvuzeleiros que o apoquentam querendo o Gaúcho entre os 23. E, se preciso, entre os 11, no caso de contusão de Kaká, ou de queda de produção de Robinho.

Não querendo te pressionar ainda mais, sou apenas mais um que acha que não se pode privar um time de um talento como ele, jogando a bela bola que tem mostrado pelo Milan. O cara é excelente. E é muito bom de grupo. Quem não gosta dele? Sabe o que é ser campeão do mundo, como você já foi, Dunga. Tendo a chance de se redimir de uma Copa frustrante como a de 1990, quando você foi crucificado e estigmatizado, e deu a volta por cima das voltas por cima, em 1994, capitaneando um ótimo grupo campeão mundial. Que poderia ter sido ainda melhor se Parreira tivesse liberado um pouco mais o time. Apostando em talentos que não tiveram chance ou espaço.

Dê essa oportunidade a Ronaldinho. Não custa nada. Ou, pior, pode só custar o mundo.
BRASIL X IRLANDA – Um gol contra num cruzamento do impedido Robinho quando o time rival era pouco melhor; um belo gol de Robinho num segundo tempo com cinco chances de gol contra um rival chato, porém cansado.
Foi o suficiente. Mas ainda é pouco. O Brasil continua dando a sensação de que poderia jogar muito mais do que joga.

IRREVERÊNCIA - Neymar é demais. Um senhor jogador. Já é. E será ainda maior. Também pela irreverência irresponsável. Coisa de menino. De moleque. Do craque que será.
Daí a poder fazer tudo que der na telha (incluindo um chapéu com a bola parada só para irritar o já irritadiço por demais rival) é um pouco demais. Até para preservá-lo.
O chapéu em Chicão com a bola já parada foi maravilhoso. Uma delícia para quem gosta de futebol. Um inefável prazer para o santista. Uma afronta para o corintiano. Dalai Lama teria tido a reação do zagueiro Chicão, que empurrou o excelente insolente pela atitude moleque. No bom e no mau sentido.
Tudo a favor do talento de Neymar e de poucos outros.

Tudo contra apimentar ainda mais um clássico já elétrico. Em nome da integridade física de Neymar. Em nome da segurança pública no estádio. É muito diferente chapelar com a bola rolando e com a bola parada. Neymar conseguiria dar um chapéu em qualquer zagueiro com a bola rolando. Mas não foi o caso.

Tanto quanto prosseguir um lance já parado, e com o cartão amarelo já tomado, logo depois. Tivesse agido como manda a regra (não necessariamente o bom senso, e o ótimo gosto), o árbitro José Henrique de Carvalho teria expulso Neymar pelo segundo amarelo. O Santos teria sofrido mais do que sofreu na segunda etapa, quando, mesmo com dois a mais, teve menos oportunidades que o Corinthians.

E a já contestada arbitragem (que não decidiu o clássico, dever frisar para quem não quer ler) seria ainda mais polêmica.

Para não deixar dúvida para aquela gente que não quer entender: defendo tanto quanto qualquer um o jogo lindo, efusivo, esfuziante do Santos-10 e de qualquer time que queira jogar bonito.

Mas jogar com arte é diferente de fazer arte. Neymar é um artista. Mas, no lance contra Chicão, foi apenas arteiro.
Como Edílson, nas célebres embaixadas da final do SP-99.

INTOLERÂNCIA INSTITUCIONALIZADA - Torcida única num campo de futebol em dia de clássico minimiza a violência nos estádios, proximidades, no metrô, nos ônibus, nas ruas, na cidade, até no Estado. Pode diminuir estatisticamente a barbárie. Mas não educa. Não erradica. Apenas radicaliza.

Que torcedor a gente vai ver no estádio se ele não sabe que existe outra cor? Que cidadão a gente vai criar se ele não entende que existe gente que pensa diferente?

Pode, num primeiro momento, arrumar a casa. Mas, num segundo, desestabiliza qualquer lar.
Facções e milícias tomaram de assalto arquibancadas e ruas. Transformar os transtornados estádios em guetos intolerantes é institucionalizar a intolerância. Por absoluta falência - mais uma - das autoridades. Não que eu saiba o que fazer. Mas quem é pago para tanto, por vezes, parece saber ainda menos.



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